Terrorismo


Regime de Saddam entra em colapso em Badgá.
Saques e celebrações tomam as ruas

Fonte: Globonews e Agências Internacionais - Quarta - feira - 09.04.2003

Regime de Saddam dá sinais de colapso e iraquianos comemoram - BAGDÁ - Um dos regimes mais longevos e brutais do Oriente Médio entrou em colapso na capital do Iraque nesta quarta-feira, 21 dias depois de os Estados Unidos terem decidido destituir Saddam Hussein com uma guerra que, até agora, matou mais de 1.250 civis iraquianos. Os militares dos EUA disseram que o regime iraquiano havia chegado ao fim, mas afirmaram ser prematuro dizer que a guerra terminou. Algumas áreas de Bagdá ainda estavam sob controle de milícias e paramilitares leais ao ditador. Franco-atiradores ainda ameaçavam os soldados americanos com disparos ermos e os comandantes alertaram que poderia haver mais lutas no Iraque - dentro e fora de Bagdá.

Alegria e saques - No entanto, pouca coisa era capaz de conter as apostas na ruína do regime. Após semanas de bombardeios e batalhas por terra, Bagdá amanheceu nesta quarta emitindo sinais de um vácuo de poder sem precedentes no Iraque - 24 anos após Saddam ter estabelecido um violento Estado policial.

Cenas de celebração se misturavam às de distúrbios. Centenas de pessoas saíram às ruas em vários pontos da capital, rasgando posteres do ditador, invadindo prédios do governo, de onde levavam qualquer coisa que pudessem carregar. Multidões em júbilo jogavam flores e saudavam fuzileiros navais na Cidade de Saddam, distrito a nordeste da capital habitado por cerca de dois milhões de xiitas pobres. A população xiita - maioria no Iraque - foi brutalmente reprimida pelo ditador, que pertence à minoria sunita. Escritórios da ONU foram invadidos e saqueados.

O prédio do Comitê Olímpico, quartel-general do filho mais velho de Saddam, Uday - um dos homens mais temidos e odiados do Iraque - foi incendiado. Durante a madrugada, soldados americanos esvaziaram cadeias da cidade, libertando prisioneiros.

No fim da tarde (horário de Bagdá), foi reproduzida no centro da capital uma cena típica da queda de regimes ditatoriais: a derrubada de uma das centenas de estátutas gigantescas do ditador que povoam o Iraque. Um grupo de mais de cem iraquianos se reuniu em torno da escultura momentos depois de fuzileiros navais americanos terem chegado ao local, a bordo de tanques. Sob os olhos da imprensa internacional - abrigada em massa no Hotel Palestina à frente da praça - os militares americanos ajudaram iraquianos a derrubar a estrutura. Aos gritos de 'Morte a Saddam!', os iraquianos bateram na estátua com pedras e chinelos e pularam sobre a estrutura. No local onde estava o boneco do ditador, prenderam uma bandeira do Iraque.

Uma nota constrangedora, no entanto, marcou o episódio: um fuzileiro naval chegou a amarrar uma bandeira americana no rosto da estátua, num gesto que prometia despertar críticas da imprensa e de países árabes. Momentos depois, o soldado retirou a bandeira, provavelmente advertido por seus superiores.

Bush discreto - Os EUA, e Grã-Bretanha, mantinham a cautela apesar das cenas de Bagdá exibidas ao mundo pelas emissoras de TV. O presidente Bush disse acreditar que aquele era um momento histórico. No entanto, seu porta-voz, Ari Fleischer, disse:
- Por mais que o presidente esteja satisfeiito com o progresso da campanha militar, continua cauteloso porque sabe que há um grande perigo que ainda pode estar à frente.

O general de brigada dos EUA Vincent Brooks, afirmou no Comando Central no Qatar que Saddam havia perdido controle de Bagdá para as forças americanas, mas alertou que seus homens continuarão as ações militares no Iraque, até que os "últimos remanescentes do regime sejam eliminados ou alguma autoridade iraquiana apareça" para ser formalmente destituída.
- A capital entrou na lista das cidades quee estão fora do comando do regime - afirmou ele. - Acho que chegamos a um nível em que a população reconhece que o regime se foi - afirmou. Os americanos reduziram dramaticamente a escala de seus ataques por ar e terra a Bagdá durante a madrugada e na manhã desta quarta-feira. Mas tropas da 3º Divisão de Infantaria e os fuzileiros navais aumentaram suas zonas de controle por uma área que agora chega a quase a metade de Bagdá. Houve pouca resistência nas últimas 12 horas, disse Brooks.

EUA preparam-se para uma batalha dura em Tikrit, cidade natal de Saddam AS SAYLIYA CAMP, Qatar - Os EUA tentaram minimizar nesta quarta-feira os temores de que uma possível batalhar pelo controle da cidade de Tikrit, onde nasceu o ditador Saddam Hussein, seja uma das mais sangrentas da guerra até agora. A cidade é o bastião da minoria sunita que governou o país durante quase 30 anos e abriga a família e os principais aliados do ditador. Rumores davam conta de que unidades da Guarda Republicana e dos Mártires de Saddam, milícia extremamente leal ao presidente, teriam sido deslocadas para Tikrit nos últimos dias.

Nesta quarta-feira, o general-de-brigada Vincent Brooks declarou que uma batalha por Tikrit seja como os outros conflitos travados ao longo dos 21 dias de guerra. Ele afirmou que os EUA detectaram um incremento das forças iraquianas em torno de Tikrit.
- Muitas dessas forças se locomoveram na meedida em que tivemos mais e mais sucesso nos lados sudoeste e sudeste de Bagdá. Houve alguns reposicionamentos para reforçar as defesas iniciais - disse Brooks.

Depois que as forças americanas aumentaram o controle sobre Bagdá, especula-se que Saddam possa ter ido para Tikrit.
- Antecipamos que qualquer batalha que posssa ocorrer lá, se nós formos para Tikrit, será similar ao que vimos em outros partes do país - completou o general.
Segundo Brooks, a resistência poderia vir de uma combinação de forças militares convencionais, forças irregulares e soldados ainda leais ao partido de Saddam, o Baath.

- Estamos certamente focados em Tikrit paraa impedir que o regime (de Saddam) seja capaz de usar a cidade como local de comando e controle, para restaurar o comando e o controle ou para se esconder.


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