Terrorismo


Mais de 30 civis morrem em bombardeios na região central do Iraque

Fonte: Agências Internacionais - Terça feira - 01.04.2003

Pelo menos 11 civis, na maioria crianças, foram mortos em bombardeios contra Hilla, centro do país. Outros 24 foram mortos em Bagdá desde a segunda. No total, o Iraque calcula que 56 inocentes morreram durante as últimas 24 horas. A Casa Branca não diz se tem culpa em todos os ataques, mas já deu sua versão: 'Saddam é o real culpado'

HILLA - Mais de 30 civis, vários deles crianças, foram mortos em bombardeios americanos noturnos em um distrito residencial da cidade de Hilla, na região central do Iraque, relataram correspondentes de agências internacionais de notícias. Quinze pessoas seriam de uma mesma família.

Levados por autoridades iraquianas a um hospital em Hilla, 80 quilômetros ao sul de Bagdá, os repórteres viram uma pick-up levando corpos, a maioria de crianças.

- O que ele fez de errado? O que ele fez dde errado? - dizia o motorista do carro, enquanto abraçava o corpo de uma criança.

Parentes acompanhavam em desespero a retirada dos corpos do carro. Um jornalista da Reuters contou 11 corpos de civis e dois de combatentes iraquianos, mas um funcionário do hospital disse que o número de civis mortos era 33 e que 300 pessoas ficaram feridas.

- Deus nos vingue da América - dizia o iraaquiano Razek Al-Kazem Al-Khafaj repetidamente no hospital. Ele disse aos repórteres que perdeu a mulher, os seis filhos, o pai, a mãe e três irmãos e as cunhadas no bombardeio. Funcionários do hospital confirmaram que toda a família dele foi morta no ataque.

Residentes de Hilla disseram que as forças americanas atacaram a cidade na segunda-feira à noite, mas foram afastadas por militares e paramilitares iraquianos. Enquanto recuavam, os americanos despejavam bombas, disseram os moradores da cidade. As autoridades iraquianas não levaram os jornalistas até o distrito atingido.

O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf, havia dito mais cedo na terça-feira que um total de 56 civis haviam sido mortos no Iraque desde a noite de segunda-feira, como resultado de ataques da coalizão anglo-americana. Vinte e quatro civis teriam morrido em Bagdá. Ele também se referiu a mortes em Hilla, onde, segundo ele, nove crianças haviam sido martirizadas.

Na semana passada, explosões em dois mercados de Bagdá deixaram mais de 70 mortos. O Iraque diz que os massacres foram causados por mísseis ou bombas das forças anglo-americanas. EUA e Grã-Bretanha insinuam que os episódios tenham resultado de falhas na defesa antiaérea do Iraque, cujos mísseis teriam caído sobre a capital, em vez de atingir aviões inimigos.

Iraque diz que EUA atiraram em ônibus de pacifistas - O Ministério da Informação iraquiano afirmou nesta terça-feira, que aviões das forças anglo-americanas atacaram dois ônibus lotados de pacifistas e escudos humanos. As vítimas seriam na maioria americanos e europeus que viajavam da Jordânia para Bagdá. O ministro da Informação, Mohammed Saeed al-Sahaf, disse à Reuters que os feridos estavam sendo tratados em um hospital perto da fronteira jordaniana.

Saddam promete um lugar no céu a quem se sacrificar pelo Iraque - O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahhaf, apresentou nesta terça-feira, numa transmissão da rede de televisão estatal de seu país, uma mensagem atribuída ao ditador Saddam Hussein. Na carta, Saddam convoca a população iraquiana a participar de uma guerra santa contra a invasão de tropas dos Estados Unidos e Inglaterra. "A jihad é uma obrigação", teria escrito ele.

Antes da aparição do ministro, o governo iraquiano anunciou que Saddam faria um pronunciamento à nação pessoalmente e ao vivo. Al-Sahhaf não explicou o motivo do cancelamento do discurso. Não há provas de que Saddam é mesmo o autor da carta e não se sabe se o ditador continua vivo. A tática do governo de anunciar a aparição dele teria como objetivo mobilizar a população em torno da TV.
"Os nossos mártires serão recompensados no céu. Vocês devem aproveitar a chance, meus irmãos."
Mensagem atribuída a Saddam Hussein convocando guerra santa.


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