Terrorismo


Megabombardeio destroçou palácios e feriu mais de 200 civis

Fonte: Veja Online e Agências Internacionais - Sábado - 22.03.2003

Depois do ataque do 'choque e temor' na noite desta sexta, a capital Bagdá amanheceu sob novo bombardeio, o primeiro à luz do dia. Os iraquianos dizem que vários prédios foram destruídos e temem mais uma chuva de fogo. Os americanos confirmam: o ataque continuará

O ataque aéreo das forças americanas e inglesas contra o Iraque na noite desta sexta-feira deixou vários palácios e construções arruinadas e feriu mais de 200 civis em Bagdá, informou no sábado o Ministério da Informação do país. De acordo com os EUA, porém, o megabombardeio não terminou - os ataques continuarão. Na manhã deste sábado, pelo menos três explosões foram ouvidas na capital.

O bombardeio do "choque e temor", como foi chamado pelos próprios militares aliados, foi a ação mais violenta da guerra no Iraque até agora. Centenas de bombas e mísseis foram despejados sobre Bagdá e outras três cidades ao norte (Mosul, Kirkuk e Tikrit, essa última a cidade de origem do ditador Saddam Hussein). As imagens do ataque, transmitidas ao vivo pela TV, assombraram o mundo.

O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf, divulgou o saldo do ataque depois de uma inspeção na cidade: pelo menos 207 civis inocentes internados nos hospitais da capital e dois prédios do governo, o "Palácio da Paz" e o "Palácio das Flores", foram reduzidos a ruínas. Outras construções foram atingidas, incluindo o Palácio da República, de Saddam, na margem do rio Tigre.

Não se sabe se o ditador sobreviveu. Também não foi confirmado se o bombardeio provocou mortes. Prédios pertencentes a Qusay Hussein, filho mais novo do ditador, e a Taha Yassin Ramadan, o vice-presidente, também foram destruídos, assim como o centro de comando da Aeronáutica, no cento de Bagdá. Esse alvo militar foi atingido repetidamente por mísseis de longo alcance dos americanos.

Novo ataque - O ministro iraquiano chamou o presidente George W. Bush de "assassino" enquanto os moradores da cidade previam uma nova noite de pânico e mais uma chuva de fogo. As previsões dos iraquianos está correta: ainda na sexta, o comandante-geral das Forças Armadas dos EUA, general Richard Myers, afirmou que "centenas" de alvos seriam atingidos nas primeiras 24 horas do ataque.

Durante este período, a campanha aérea deverá despejar um total de 1.500 bombas e mísseis guiados por satélite sobre o Iraque, com bombardeiros e caças B-1, B-2, B-52, F-117 e F-15, lançados a partir de 38 bases diferentes no Oriente Médio, Inglaterra e até nos EUA - alguns deles foram e voltaram do ataque na mesma noite. Na manhã de sábado, uma nova esquadrilha partiu para atacar.

'Uma piada' - De acordo com um correspondente da agência de notícias Reuters, os aviões ingleses e americanos continuam realizando ataques esporádicos de dia, mas o bombardeio pesado deverá vir mesmo à noite. Para quem está em Bagdá, diz ele, a impressão é de que só agora a guerra começou para valer. "As duas primeiras noites foram uma piada comparado com isso", lamentou um morador.

Apesar da precisão dos ataques, os civis de Bagdá preferiram ficar em casa no sábado, início da semana de trabalho no mundo muçulmano - muitos alvos militares e do governo estão localizados em áreas residenciais. Bagdá tem cerca de 5 milhões de habitantes. "O que fizemos para merecer isso? Estamos vivendo em guerra por mais de 20 anos", afirmou um outro morador da capital iraquiana.



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