Terrorismo


Tropas aliadas avançam no deserto, controlam dutos de petróleo e lutam por porto no sul

Fonte: GloboNews e Agências Internacionais - Sexta-Feira - 21.03.2003

BAGDÁ - Soldados britânicos usaram ataques combinados por ar e terra na madrugada de sexta-feira para assumir o controle da Península de Faw, que se estende do Golfo Pérsico até Basra, o que põe as forças da coalizão no controle dos principais dutos de petróleo iraquianos. Embora a bandeira americana já tremule sobre a cidade de Umm Qasr, o ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Geoff Hoon, disse que a batalha continua pela cidade, único porto comercial de águas profundas do país. Ele afirmou que espera que os aliados controlem o local no sul rapidamente.

As forças da coalizão, que estavam no Kuwait, avançam numa ampla frente terrestre por território iraquiano após abrir uma intensa barreira de artilharia e encontrar resistência moderada das forças iraquianas. Os soldados aliados avançam rumo à cidade estratégica de Basra - de maioria de população xiita, cercada por poços de petróleo. Segundo comandantes, seu objetivo final é Bagdá.

A longamente aguardada ação por terra começou um dia antes do planejado, devido à decisão do presidente George W. Bush de lançar o "ataque de decapitação" contra Saddam Hussein e a liderança iraquiana na madrugada de quinta-feira. O contra-almirante dos EUA John Kelly disse nesta sexta-feira acreditar que a guerra será vencida rapidamente.

- Vamos vencer a guerra e vencê-la rápido -- disse Kelly, comandante do porta-aviões Abraham Lincoln, estacionado no Golfo Pérsico. Ele disse a jornalistas que as defesas aéres iraquianas contra mísseis cruzeiro Tomahawk e aviões militares aumentaram significativamente nos últimos dia em resposta aos ataques aéreos contra locais estratégicos em Bagdá.

Os americanos teriam encontrado certa resistência ao cruzar a fronteira do Kuwait, mas comandantes aliados disseram que, de forma geral, não há forte oposição das forças de Saddam à coalizão anglo-americana. Cerca de 250 de soldados iraquianos cruzaram a fronteira com o Kuwait para se render, acenando com bandeiras, para fuzileiros navais dos EUA e britânicos. As rendições ocorreram em sua maioria em Umm Qasr.

A rede de TV CNN afirmou que um fuzileiro naval americano foi morto a tiros, no que seria a primeira baixa em combate das forças aliadas. A emissora não afirmou onde o episódio ocorreu. Na madrugada desta sexta, 12 soldados britânicos e quatro americanos morreram na queda de um helicóptero da Fuziliaria Naval dos Estados Unidos. O helicóptero CH-46E caiu a cerca de 16 quilômetros ao sul da fronteira do Kuwait com o Iraque.

No lugar dos ataques aéreos maciços que marcaram os primeiros momentos da guerra, o segundo dia de campanha foi marcado pelo avanço dos comboios de tanques. Embora a rápida invasão por terra tenha começado sob a luz pálida da lua no deserto, em Bagdá, a capital iraquiana, as luzes dos caças, da artilharia antiaérea e dos poderosíssimos mísseis e bombas da coalizão anglo-britânica enchiam o céu de luzes e o solo de chamas, ao destruir vários prédios.

Explosões gigantescas iluminaram o céu na direção da cidade de Basra. No Norte do país, várias explosões sacudiram Mosul, a cidade mais importante da região. Quase simultaneamente, a cavalaria dos EUA entrava em território iraquiano. No início do segundo dia da guerra, o 3º Esquadrão do 7º Regimento da Cavalaria dos EUA, encarregado de abrir caminho para a 3ª Divisão de Infantaria dos EUA, cruzou a fronteira com o Iraque.

Funcionários do governo americano e o serviço secreto dos EUA estão debatendo se Saddam sobreviveu ao primeiro ataque da guerra e até que ponto sua liderança foi atingida. O jornal americano "Washington Post" afirmou em sua edição desta sexta-feira que, para o serviço de inteligência americano, Saddam e ao menos um de seus dois filhos, Uday e Qusay, estavam no bunker no momento do ataque. O "Post" afirmou que os analistas não têm certeza se Saddam foi morto ou ferido.



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