Terrorismo


Bush diz que Saddam desperdiçou a última chance de evitar a guerra

Fonte: Veja Online - 29.01.2003

Em discurso de cerca de uma hora diante do Congresso americano, o presidente dos EUA passou muito perto de fazer uma declaração de guerra ao Iraque. Ele caracterizou ditador iraquiano como principal ameaça do planeta e prometeu agir com ou sem apoio externo

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um dos mais cruciais discursos de sua carreira política na noite desta terça-feira, no Congresso americano, em Washington. Na iminência de colocar o país na segunda guerra de seus dois anos de mandato, com a economia em crise e com seus níveis de popularidade em queda acelerada, Bush falou por cerca de uma hora. Metade do tempo foi para promessas de melhora na conjuntura econômica, metade para algo muito próximo de uma declaração de guerra ao Iraque.

"Há três meses, Saddam Hussein recebeu sua chance final para se desarmar, mas mostrou total desprezo pela opinião mundial. O ditador do Iraque não está se desarmando. Ao contrário, ele está enganando", declarou Bush. "Hoje, o perigo mais grave para a América e o mundo são os regimes fora-da-lei que buscam e possuem armas nucleares, químicas e biológicas", acrescentou.

Referindo-se à doutrina de guerras preventivas, adotada no ano passado pela Casa Branca em reação aos atentados de 2001, o presidente americano deixou claro que não aguardará uma situação real de risco ao território do país para autorizar a invasão ao Iraque. "Alguns disseram que não devemos agir até que a ameaça seja iminente. Desde quando terroristas e tiranos anunciam suas intenções, avisando-nos educadamente antes de atacar? Confiar na razão e na reserva de Saddam Hussein não é uma boa opção", afirmou.

Prometendo defender a segurança e a liberdade dos americanos com ou sem o auxílio de outras nações do planeta, Bush dirigiu parte de seu discurso no Congresso diretamente aos soldados do país. "Um futuro vivido à mercê de terríveis ameaças não é paz de maneira alguma. Muitos de vocês estão no Oriente Médio ou perto de lá, e algumas horas cruciais podem estar à frente. Nessas horas, o sucesso de nossa causa depende de vocês. Se a guerra nos for imposta, lutaremos com toda força e poder dos militares dos EUA. E venceremos", disse ele.

Além da retórica belicosa contra Saddam Hussein, Bush fez um pedido e um anúncio aos congressistas. O pedido foi para que eles aprovem um orçamento de 6 bilhões de dólares para a luta contra o bioterrorismo, que inclui a produção de vacinas e de tratamentos. O anúncio foi que solicitará uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para o próximo dia 5, para que o secretário de Estado, Colin Powell, revele evidências do programa de armas de destruição em massa do Iraque e de ligações entre Saddam e a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden.

Na parte de seu discurso dedicada à economia americana, Bush argumentou em favor do amplo programa de corte de impostos e estímulos econômicos anunciado pela Casa Branca no início do mês. "A economia cresce quando os americanos têm mais dinheiro para gastar e para investir, e a maneira melhor e mais justa de garantir que os americanos tenham dinheiro é não fazê-lo desaparecer com impostos", declarou.

Além disso, ele defendeu um projeto de privatização parcial do sistema de seguro social e do sistema médico federal, dois setores que enfrentam crise em razão do déficit fiscal da atual gestão. Bush também falou rapidamente contra a clonagem, pedindo ao Congresso que proíba toda forma de experiência envolvendo a geração ou eliminação de vida humana, e dedicou algums palavras à questão do programa nuclear da Coréia do Norte, dizendo que os Estados Unidos e o mundo não aceitarão nenhuma forma de chantagem.



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