Terrorismo


Saddam chama inspetores internacionais de espiões

Fonte: Veja Online - 06.01.2003

O presidente iraquiano, em rede nacional de televisão, acusou nesta segunda-feira as equipes de inspeção de colher informações sobre atividades militares legítimas em vez de procurar armas de destruição em massa.

O presidente do Iraque, Saddam Hussein, fez críticas pesadas à ação dos inspetores internacionais de armas que trabalham no país desde o mês passado. Em discurso transmitido pela televisão iraquiana, o ditador classificou as inspeções como espionagem.

"Em vez de procurar pelas tais armas de destruição em massa, o que revelaria a mentira dos mentirosos, as equipes de inspeção tornaram-se interessadas em compilar listas de cientistas iraquianos, interrogar trabalhadores e colher informações sobre campos do exército e sobre produção militar legítima", declarou Saddam. "Isto é puro trabalho de inteligência", acrescentou.

Apesar das inéditas críticas, o líder iraquiano não deu nenhuma indicação de que não iria mais cooperar com as inspeções. Em novembro passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma rígida resolução obrigando o Iraque a aceitar as inspeções internacionais ou enfrentar "sérias conseqüências". Os Estados Unidos falam em invadir o país e derrubar Saddam mesmo sem autorização da ONU e já aumentam sua presença militar na região.

Saddam, no discurso deste domingo, mostrou-se desafiante mais uma vez. "Não há dúvida que os que estão certos serão vitoriosos em sua terra natal e os inimigos enfrentarão derrota certa", declarou, descrevendo as ameaças do presidente americano, George W. Bush, como "silvos de cobra e latidos de cachorros".

Ao final, Saddam revelou o que acredita serem os motivos americanos para a guerra e deu uma mensagem de apoio ao povo palestino. "O inimigo quer esconder a fragilidade de seu aparato de segurança, a fraqueza, ou o quase colapso, da economia americana e o fracasso da política em relação ao Afeganistão", declarou. "Saudamos a heróica luta do povo palestino e a cada homem livre que responde à agressão sionista com o martírio", acrescentou, referindo-se ao atentado suicida deste domingo que matou 23 pessoas em Tel Aviv.



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