Terrorismo


A segunda guerra do golfo

Fonte: Isto É - Osmar Freitas Jr. – Nova York - 26.12.2002


Com cerca de 200 mil soldados já reunidos na região, os EUA estão prontos para atacar o Iraque, custe o que custar, doa a quem doer.


FORMALIDADE: Bush espera o final dos trabalhos dos inspetores da ONU no Iraque com o dedo no gatilho.
Os pastores iraquianos podem poupar seus rebanhos neste fim de ano. Não será necessário retirar as vísceras de cabritos para se adivinhar o que o futuro lhes reserva. Basta que se ouça o noticiário internacional, dando conta da presença, até 31 de dezembro, de 100 mil soldados americanos na região do Golfo Pérsico. Para o 11º aniversário do início da primeira guerra do Golfo, no próximo 17 de janeiro, esse contingente estará reforçado por outros 50 mil ianques e 50 mil britânicos, atingindo 200 mil guerreiros: o número mágico do Pentágono para uma invasão do Iraque. Essa gente vem acompanhada por centenas de aviões, tanques e navios de guerra. 2003 não promete ser um bom ano para quem vive perto dos rios Tigre e Eufrates.

Para os oráculos do Ocidente, porém, a tarefa de antever o próximo ano é mais penosa. Há sempre a possibilidade de que não haja guerra alguma. Afinal, parte da dinastia Saddam Hussein – esposas preferidas e filhos mais queridos – já está acomodada em Trípoli, na Líbia, numa espécie de treino para o exílio. Mas a maioria dos bidus deve apostar na explosão da guerra. Na quinta-feira 19, depois que a comissão da ONU que investiga a existência de armas de destruição em massa no Iraque afirmou que o relatório entregue por Bagdá sobre seu arsenal é “incompleto”, o governo americano acusou Saddam de ter cometido “fraude”. Aliás, disso, o presidente George W. Bush está rouco de falar que não lhe interessa apenas um Iraque sem presas afiadas mas, principalmente, sem Saddam A cisma da administração Bush com o ditador iraquiano não se justifica apenas pela possível existência de arsenal mortífero do Iraque. “O tom beligerante, lembre-se, garantiu ao Partido Republicano a vitória nas eleições legislativas de meio de mandato”, analisa Charles Schumer, senador democrata por Nova York. O mesmo rufar de tambores, prevê o senador, deve ter continuidade e aumentar o ritmo para as eleições presidenciais de 2004. É a guerra como estratégia eleitoreira. “Quem está em guerra não tem muito tempo para pensar na má performance da política econômica do governo”, anota o economista Paul Krugman. Além disso, como diz o analista militar Tom Hansler, “este contingente de 200 mil soldados e o equipamento maior do que o arsenal de grandes nações custam caro. Não me parece que o contribuinte americano ficaria contente ao saber que o dinheiro de seus impostos foi usado para uma gigantesca excursão turística de nossos soldados às areias do Oriente”.



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