Terrorismo


Guerra pode começar em 15 semanas

Fonte:Veja Online - Terça-Feira, 12.11.2002


O cronograma da resolução da ONU e das inspeções de armas deve forçar decisões rápidas de Saddam. País poderá enfrentar o terceiro conflito em apenas três décadas, sempre sob comando de Saddam


O Iraque começou a década de 1980 declarando guerra ao vizinho Irã. Em 1990, invadiu o Kuwait e acabou duramente bombardeado por forças americanas e européias meses depois. Agora, o território iraquiano está muito perto de ser palco de sua terceira grande guerra em três décadas. A resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deixa o ditador Saddam Hussein em situação extremamente delicada. As rígidas ordens e o curto cronograma impostos aos inspetores internacionais de armas revelam que, em no máximo quinze semanas, Iraque será invadido por forças inglesas e americanas ou, na hipótese menos provável, terá escapado ileso de uma posição diplomaticamente desfavorável.

O primeiro prazo imposto pela resolução expira dia 15/11. Ate lá, o Iraque deve se pronunciar oficialmente aceitando os termos do documento aprovado pelo Conselho. Caso contrário, a resolução diz que Saddam enfrentará "sérias conseqüências", o que, ao que tudo indica, significa uma invasão. Caso Saddam concorde, o que deve acontecer, os inspetores de armas, que não visitam o país desde 1998, terão 45 dias para se estabelecer em Bagdá e iniciar os trabalhos. Este prazo deve ser cumprido com bastante antecedência pois as negociações entre o governo iraquiano e a comissão de inspeção da ONU já aconteceram. O mais provável é que as primeiras equipes internacionais desembarquem no Iraque já no próximo dia 18. A resolução, concebida pelo governo dos Estados Unidos e aprovada depois de dois meses de negociações e modificações, é recheada de armadilhas para aumentar a pressão sobre Saddam. Uma delas diz que o Iraque, a partir do momento que aceite oficialmente a volta dos inspetores, tem 30 dias para entregar aos inspetores um relatório completo sobre seu arsenal militar.

A lista deve incluir seus supostos programas de construção de armas de de destruição em massa, identificando qualquer projeto ou instalação que pode colaborar para a produção de armas químicas, biológicas ou nucleares. Se os inspetores encontrarem algo não previsto nesta lista, Saddam terá faltado com suas obrigações e ficará automaticamente sujeito às mesmas "sérias conseqüências".

Às equipes de inspeção de armas, que serão coordenadas pelo alemão Hans Blix e mobilizarão um total de cerca de 120 pessoas, foi imposto o prazo de 60 dias de trabalho em solo iraquiano. Este é o limite para que eles concluam se o país está ou não fabricando armas de destruição em massa. A qualquer momento, os inspetores podem alegar que seu trabalho está sendo obstruído, o que significa falta de cooperação de Saddam e, novamente, quebra das obrigações impostas pela ONU.

A agenda imposta nesta sexta-feira pode levar a uma repetição dos passos da Guerra do Golfo. Em novembro de 1990, três meses depois de Saddam ter invadido o Kuwait, a ONU aprovou uma rígida resolução dizendo dando sinal verde para que os países ocidentais usassem todos os "meios necessários" para libertar a nação ocupada. No dia 17 de janeiro de 1991, começaram os primeiros bombardeios ao Iraque. As tropas de Saddam foram expulsas do Kuwait no final de fevereiro e o cessar-fogo veio em 3 de março. Se os inspetores iniciarem o trabalho no dia 18 de novembro, o prazo para terminarem se encerra, coincidentemente, em 17 de janeiro. A preocupação dos países ocidentais em apressar o enfrentamento da questão tem também uma justificativa tática. Se decidirem atacar, as condições climáticas ideais para isso vão de janeiro a março. Caso o presidente americano, George W. Bush, leve a cabo seu plano de destituir Saddam do poder, ações por terra se farão necessárias. Depois de março, a temperatura no deserto iraquiano passa a superar constantemente os 40ºC e, a partir de abril, a temporada de ventos começa e as tempestades de areia tornam-se corriqueiras. O clime só tornaria propício novamente em outubro.



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