Terrorismo


IRAQUE MANTÉM DESAFIO

Fonte:GloboNews - Sábado, 28.09.2002

EUA dão prazo para que Iraque dê acesso ilimitado a inspetores, mas Bagdá rejeita.
O vice-presidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan diz não a uma nova resolução da ONU.


NAÇÕES UNIDAS - Os EUA querem mudar radicalmente as regras a serem seguidas pelos inspetores de armas da ONU no Iraque, exigindo acesso a qualquer local suspeito de fabricar armas de destruição em massa - incluindo os prédios e palácios do presidente Saddam Hussein - e que autorize o uso da força militar se Bagdá tentar impedir. Funcionários da Casa Branca e fontes diplomáticas afirmaram que a proposta para uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU, apoiada pela Grã-Bretanha, declararia que o Iraque já havia violado as demandas atuais.

O documento, que será apresentado no começo da semana que vem, foi submetido à avaliação de Rússia, China e França, países que, ao lado de EUA e Grã-Bretanha, têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Os outros 10 membros não-permanentes do conselho, eleitos, foram informados sobre os principais pontos da nova declaração.

Prazo para cumprimento - De acordo com o novo esboço, o Iraque tem sete dias após a aprovação da resolução para aceitar todas as demandas contidas no documento, no que um diplomata chamou de 'primeiro teste de boa fé'. Após 30 dias, Bagdá tem que declarar qualquer arma química, biológica, nuclear ou programa de armas balísticas que possuir. Se Bagdá fizer 'falsas declarações ou omissões', ou fracassar em cumprir as demandas de qualquer outra forma, um país-membro da ONU pode usar 'todos os meios necessários' (um termo diplomático para ação militar) para garantir que as demandas sejam cumpridas.

Iraque já disse não - No entanto, o Iraque afirmou neste sábado que não aceitará novas e duras regras para os inspetores de armas da ONU, como estão sendo propostas no esboço. O vice-presidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan, afirmou que seu país rejeita quaisquer procedimentos extras para os especialistas em armas, entre elas o prazo de 30 dias para que Bagdá declare todas os seus programas de armas químicas, nucleares ou biológicas. O vice-premier iraquiano, Tareq Aziz, por sua vez, alertou que os EUA terão 'grandes perdas' se atacarem o Iraque, e afirmou que seu país lutará uma 'guerra dura'.

Os EUA vêm pressionando pela aprovação de uma nova resolução da ONU que o autorize a usar a força contra Bagdá. Mas França, Rússia e China demonstraram reservas sobre os planos americanos, que vêem como um passo para uma guerra. Em decorrência, Washington deflagrou uma intensa atividade diplomática nos últimos dias para tentar ganhar apoio dos outros países-membros permanentes do Conselho de Segurançda da ONU.

No front diplomático, duas derrotas - Na quinta-feira, Bush falou com seu colega francês, Jacques Chirac, em um telefonema. Chirac voltou a insistir em seu plano de duas fases para lidar com o Iraque - sendo a primeira uma resolução que prevejam o acesso dos especialistas em armas a locais suspeitos de fabricar armas não-convencionais e a segunda autorizando o uso da força, se Bagdá não cumprir a demanda. Em outra derrota diplomática, um enviado de Washington a Moscou terminou neste sábado conversações com as autoridades russas sem qualquer sinal de apoio do Kremlin ao esboço de uma nova resolução do Conselho de Segurança.

Falando após o encontro, o chanceler russo, Igor Ivanov, disse que Moscou ainda é a favor do retorno "mais rápido possível" dos inspetores da ONU a Bagdá.



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