Terrorismo

 


Apoio à guerra é cada vez menor fora dos EUA

Fonte:Veja Online--07.Nov.2001


As manifestações de solidariedade aos americanos depois dos atentados de 11 de setembro se espalharam por todo o planeta. Passados quase dois meses, porém, a mobilização da comunidade internacional parece sinalizar outra opinião, desta vez contrária à ação dos Estados Unidos. Com ataques acidentais contra civis e a falta de resultados evidentes no combate aos terroristas, o apoio à ação militar no Afeganistão é cada vez menor fora do território americano - e o fenômeno se repete até em países simpáticos aos Estados Unidos.

De acordo com um levantamento do jornal The Washington Post, pesquisas de opinião e entrevistas realizadas em países da África, Ásia, Europa e América Latina indicam uma queda vertiginosa no apoio às decisões de George W. Bush. Apesar de seus governos ainda apoiarem a ação militar contra os grupos terroristas, a guerra já está sendo vista como um erro por muitos estrangeiros. Na França, o apoio popular à ofensiva caiu de 66% para 51%. na Alemanha, 65% da população pede o fim dos bombardeios; na Espanha, são 69%.

Na Inglaterra, país que assumiu a posição de principal aliado dos Estados Unidos, o endosso popular à guerra despencou de 74% no mês passado para 62% nesta semana. Tendência semelhante foi observada no México, outro país que mantém uma relação íntima com os americanos. O presidente Vicente Fox enfrenta a pressão dos parlamentares por apoiar Bush e ainda tem que lidar com a insatisfação do público. Até as canções folclóricas conhecidas como "corridos" ganharam letras que ironizam e criticam a ação americana.

Futebol - Os correspondentes do Washington Post também relatam reações anti-EUA na Irlanda, África do Sul, Rússia e China. "Por que declarar guerra contra um país todo para capturar apenas um homem (Osama bin Laden)?", diz a africana Siphiwe Moerane. "Os EUA são grandes e fortes, mas não se preocupam com os outros. Não se deve agir assim", completa o chinês Tong Zhifan. Como no México, os parlamentares da Rússia se juntam ao coro: "A dúvida sobre a eficiência dos ataques cresce a cada dia", diz Vladimir Lukin.

O Brasil também aparece na reportagem do Post, que cita a grande repercussão dos ataques acidentais americanos contra civis afegãos. Além disso, o jornal relata que Osama bin Laden virou uma espécie de "herói underground nos guetos do Rio". Traficantes de drogas e integrantes de torcidas organizadas dos times de futebol são os principais admiradores do terrorista. Nas partidas de futebol, há camisetas e bandeiras com a foto de Laden; nos morros cariocas, os traficantes vendem pacotes de "Cocaína Talibã", também ilustrados com a imagem de Laden.

Pacifistas - As exceções ao fenômeno, de acordo com o jornal, são Canadá, Quênia e Japão. No primeiro país, vizinho dos americanos, ainda há um forte sentimento de apoio à guerra, que continua na casa dos 75% nas pesquisas de opinião. No Quênia, o apoio continua sólido por outro motivo: o país foi vítima de uma das ações de Laden contra os americanos. No atentado contra a embaixada em Nairóbi, em 1998, 207 quenianos morreram.

Os japoneses, considerados um povo bastante pacifista desde o fim da Segunda Guerra Mundial, são os mais fiéis. O primeiro-ministro conseguiu autorização para mudar as leis do país apenas para ajudar os americanos. Entre a população o sentimento é parecido: o apoio à ação militar até cresceu nas últimas semanas, batendo em 83% nas pesquisas. "Por enquanto é o único caminho (para derrotar o terrorismo)", diz um entrevistado.



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