Terrorismo

 



Pressionado, Bush volta a atacar Afeganistão
Fonte: Folha Online
04.Mar.2002


O Congresso exigiu do presidente uma explicação clara sobre as próximas etapas da campanha militar. A equipe de Bush já ameaçou atacar Iraque, Iêmen, Filipinas e Geórgia, mas continua bombardeando os mesmos alvos no território afegão.

Os Estados Unidos realizaram neste domingo sua maior operação militar desde o início do ano. Aviões, helicópteros e tropas de soldados atacaram mais uma vez o leste do Afeganistão à procura de fugitivos do grupo Al Qaeda e do Talibã. Porém, em solo americano, o novo bombardeio não foi recebido com a mesma aprovação do ano passado. No Congresso, o presidente George W. Bush vem sendo cobrado pela falta de clareza em relação à campanha contra o terrorismo.

Nos últimos meses, Bush falou muito e fez pouco. Integrantes do governo mencionaram como futuros alvos o Iraque, o Iêmen, as Filipinas e a Geórgia. Nos dois primeiros, não há qualquer sinal de ação militar, apesar das constantes ameaças verbais. Nos dois últimos, as tropas americanas estariam dispostas apenas a treinar os exércitos locais, o que não é uma garantia de sucesso contra os terroristas.

Os parlamentares agora exigem que Bush defina melhor as missões, apresente seu plano ao Congresso e dê uma estimativa dos prazos de cada etapa. O senador Tom Daschle, líder do Partido Democrata (oposição), diz que Bush parece perdido. "Francamente, não sabemos para onde estamos indo. Antes de ir para qualquer outro país, penso que é importante entender melhor nossos objetivos e como isso afeta nossos esforços no Afeganistão."

Consultas - A pressão sobre Bush não está restrita à oposição. O senador republicano John McCain também defende uma "prestação de contas" do presidente ao Congresso. "Acho que houve consultas aos parlamentares, mas agora estamos embarcando em outras etapas. E nesta nova fase da guerra ao terrorismo, acho eu, precisa ser explicada", disse. "E será, tenho certeza", concluiu, para evitar maiores estragos no partido.

A Casa Branca não quis comentar as reclamações. Porém, pelo menos um oficial de alto escalão se pronunciou a respeito. "Às vezes, as pessoas agem como se tudo tivesse acabado", diz Paul Wolfowitz, secretário-assistente de Defesa. "Temo que o país não tenha absorvido a idéia de que o conflito está longe de terminar." No início da guerra, George W. Bush prometeu uma ação militar longa e variada, que possivelmente duraria muitos anos.

Mortes - Enquanto isso, o combate é intenso no Afeganistão, apesar da derrota do regime talibã e da fuga dos terroristas da Al Qaeda. De sábado até a manhã de segunda, três soldados afegãos haviam sido mortos no confronto, centrado na cidade de Gardez. Na segunda, dois helicópteros foram abatidos. No total, sete americanos morreram nos aparelhos danificados pelo fogo cruzado.

"Em um minuto, contei 15 bombas", disse um soldado afegão, comprovando que a ação americana é a mais intensa desde a queda do Talibã. Além das tropas terrestres e dos caças, helicópteros Chinook participam da ação. Mais de 1.500 soldados participam do ataque aos terroristas, que estariam escondidos nas montanhas e dispostos a cruzar a fronteira com o Paquistão. O país vizinho já reforçou a segurança na região.

Soldados americanos morrem em combate no Afeganistão após queda de helicóptero -
Um helicóptero do Exército dos EUA foi derrubado nesta segunda-feira por fogo inimigo no Leste do Afeganistão e vários soldados morreram no ataque. Ainda não há informação sobre o número exato de mortos e feridos, mas acredita-se que pelo menos dez militares tenham perdido a vida. O helicóptero seria um CH-47 Chinook. A aeronave fazia parte de um contingente envolvido nos mais intensos ataques dos EUA a alvos da rede terrorista Al-Qaeda e do destituído regime Talibã no Afeganistão.

A aeronave, que pode carregar até 35 pessoas, foi derrubada por disparos de artilharia anti-aérea. Forças americanas vinham nas últimas 24 horas realizando uma das mais incisivas manobras militares contra supostas bases da organização Al-Qaeda na região das montanhas de Shah-e-Kot, na província de Paktia.




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