Terrorismo


Caos total em Baghdah - Um sábado de saques e protestos

Fonte: Globonews e Agências Internacionais - Sábado - 12.04.2003

Embora o general de brigada do Comando Central Vincent Brooks tenha assegurado que os saques estão diminuindo nas cidades iraquianas, o caos ainda toma conta do país. Neste sábado, centenas de iraquianos fizeram um protesto no centro de Bagdá pedindo que medidas sejam tomadas para a contenção da desordem. Mas a abertura de duas pontes que haviam sido fechadas - a Al-Rasheed e Al-Jumhuriya, sobre o rio Tigre - deu início a uma nova onda de saques.

O Museu Nacional de Bagdá foi inteiramente saqueado. Tesouros arqueológicos das civilizações que viveram na região do Tigre-Eufrates foram destruídos ou desapareceram. Segundo o "The Guardian", uma funcionária do museu explicou que até o depósito que guardava as peças mais importantes foi invadido e tudo foi levado. "Toda a história do Iraque foi destruído", disse ela. Estátuas e cerâmicas destroçadas se espalharam pelo museu. Neste sábado, um banco também foi invadido. Mas os soldados americanos nada fizeram. O único prédio administrativo que continua sob proteção é o Ministério do Petróleo.

Segundo a CNN, os soldados americanos começaram entrevistar ex-policiais iraquianos para tentar formar uma brigada policial. Mas a tentativa de convencer os policiais a retomarem suas funções não tem sido bem sucedida. Nenhuma força iraquiana foi vista policiando as cidades. Neste sábado, o porta-voz do comando britânico - o capitão Al Lockwood - disse que as forças britânicas irão ajudar no patrulhamento de Basra. Segundo a CNN, o Pentágono teria apoiado um plano de pedir que outros países enviem policiamento para controlar a situação. A ajuda, no entanto, não seria com forças militares. Além disso, 26 representantes de forças policiais e oficiais de Justiça americanos estão sendo enviados para o Iraque. É uma equipe avançada de um contingente que pode chegar a até 1.150 pessoas para ajudar a restaurar a ordem no país.

Ajuda humanitária - O caos tem dificultado a chegada da ajuda humanitária. O general de brigada do Comando Central das forças de coalizão Vincent Brooks disse neste sábado que novos navios estão chegando ao porto de Umm Qsar, no sul do Iraque, para que suprimentos sejam distribuídos para a população iraquiana. As agências de ajuda humanitária e as forças anglo-americanas precisam agora que as linhas férreas do Iraque voltem a funcionar, para que seja escoado mais rapidamente o material a ser distribuído, informou o general. Nassiriya e outras cidades iraquianas devem receber os suprimentos nos próximos dias.

O Unicef disse que está enviando mais caminhões com água e suprimentos neste sábado. Segundo o porta-voz da organização, o comboio está na fronteira de Habur. Mais de 70 caminhões do Unicef entraram no Iraque nos últimos dias. Neste sábado, o governo australiano anunciou um plano de ajuda aos hospitais do país. Ontem, a Organização Mundial de Saúde pediu que as forças militares e as autoridades civis mantenham a ordem para garantir a segurança em hospitais. Mas existem hospitais que foram inteiramente saqueados.

A França exigiu neste sábado que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha garantam a segurança dos civis iraquianos com a onda de saques.
- É importante que tudo seja feito para aa segurança da população. As forças de coalizão presentes no Iraque têm uma responsabilidade particular- disse o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin.

Procurados - Assessor de Saddam Hussein se rende em Bagdá - O principal assessor científico de Saddam Hussein e um dos 55 líderes iraquianos contidos na lista de mais procurados pelo governo americano se rendeu às forças americanas em Bagdá, informou o canal de TV alemão ZDF neste sábado. Num baralho especial distribuído para os soldados anglo-americanos no Iraque - com a foto dos 55 líderes mais procurados pelos EUA - Al-Saadi é o número 55, o sete de ouros. O general Amer Hammoudi al-Saadi, que acusou os inspetores expulsos por Saddam em 1998 de manipularem provas contra o Iraque, foi acompanhado pelas câmeras da TV enquanto fazia seu pedido de rendição. Essa é a primeira captura significativa de um líder iraquiano pelas forças de coalizão desde o início da guerra, em 20 de março.


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