Terrorismo

EUA iniciam ataque ao Afeganistão

Começa a 1ª guerra do milênio
07/10/2001 - (Fonte: Tribuna da Imprensa)

AP

WASHINGTON - Vinte e seis dias depois de sofrer um devastador ataque contra os principais símbolos de seu imenso poder econômico e militar - o primeiro contra o território continental em quase 200 anos -, e após intensos preparativos militares e diplomáticos, os Estados Unidos desencadearam ontem, sua resposta militar.

A represália teve início com uma noite de bombardeio maciço contra instalações da rede terrorista al-Qaeda no Afeganistão, que Washington considerada responsável pelos atentatos contra o World Trade Center e o Pentágono, e contra posições de defesa antiaérea e de comando e controle do talibã, o partido que domina o Afeganistão e dá guarida à al-Qaeda e seu líder, o saudita Osma bin Laden.

As primeiras explosões foram ouvidas na tarde de ontem, em Cabul, capital do Afeganistão, e também em Kandahar, cidade mais ao Sul- e principal base política do mulá Mohammed Omar, líder do talibã. De acordo com declarações de um funcionário afegão à rede de televisão a cabo Al-Jazeera, sediada no emirado de Catar, Omar e Bin Laden sobreviveram à primeira onda do ataque.

Em sua primeira entrevista depois do ataque, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse que era "muito cedo" para avaliar o sucesso da missão, que classificou de uma operação "contínua". Rumsfeld informou que 37.500 rações alimentícias seriam jogadas de dois aviões, no primeiro dia, para refugiados afegãos que deixaram suas cidades nas semanas anteriores e iniciaram longas marchas pelas montanhas do país rumo aos países vizinhos.

Em declarações feitas numa entrevista à Al-Jazeera, que aparentemente foi gravada antes do ataque americano, mas transmitidas depois de ele ter começado, Bin Laden, vestindo um uniforme militar e com um turbante afegão na cabeça, prometeu responder. "Eu juro por Deus que a América não viverá em paz enquanto a paz não reinar na Palestina", disse ele, numa messagem claramente calculada para angariar simpatia no mundo árabe e islâmico.

Nova York e Washington perderam uma soma que chegou a mais de 5 mil pessoas nos ataques de 11 de setembro. Depois da revanche de ontem, a maioria das cidades americanas entraram em estado avançado de alerta: com esquadrões policiais de detecção de bombas, pessoal dos serviços de socorro e defesa civil, especialistas na identificação de ataques químicos e biológicos mobilizados para responder a emergências.

Unidades das guardas nacionais dos 50 estados reforçam a segurança dos aeroportos, reservatórios de água e usinas nucleares. O ataque inicial, foi levado a cabo por 15 bombardeios B-1, B-2 e B-52 baseados nos EUA e na base de Diego Garcia, no Ocenao Índico, 25 aviões de ataques que decolaram de dois porta-aviões americanos no Golfo Pérsico e 50 mísseis lançados por submarinos e navios americanos e ingleses. Participaram, diretamente ou indiretamente, cerca de 46 mil soldados embarcados nas frotas americana e britânica e estacionados nos EUA.

Rumsfeld, que se comprometeu publicamente a não mentir aos jornalistas, confirmou a presença de unidades de comando no Afeganistão hesitando e finalmente se recusando a responder perguntas a respeito.


Voltar