TODA A VERDADE
Afaban Sorocaba e Região - 31.12.2007 - 00:20 horas

Por ROBERTO DE MORAES - Passado o período das eleições da Cabesp, onde os aposentados obtiveram uma vitória retumbante, ainda procuramos entender a celeuma sobre um evento que deveria seguir seu curso normal. Tudo porque a Afabesp se dispôs a participar de uma eleição que, por motivos óbvios, tem todo o direito.

O estatuto da Cabesp permite que o aposentado vote, mas não o permite ser votado. Essa situação é delicada porque exclui de participar do processo a imensa maioria de seus associados, levando-os a uma segregação que chega a ser humilhante. De outro lado, a retórica dos que afirmam ser “favoráveis” à mudança do estatuto se torna cada vez mais indecente à medida que os anos passam e não convence ninguém. Aquela famosa frase humorística “me engana que eu gosto” vale para várias ocasiões e se encaixa perfeitamente neste caso. A grande maioria dos aposentados percebeu o blefe e, lógico, deu o troco.

Os interessados na manutenção da atual situação, antevendo a derrota avassaladora que se avizinhava, arranjaram uma “solução” para anular a eleição, partindo de uma ótica intencionalmente equivocada, com argumentos surrados e de uma pobreza oceânica, que dispensa maiores comentários.

A condição esdrúxula que torna o aposentado cidadão de segunda classe levou-o a se mobilizar e acionar a justiça para demonstrar que, apesar de idoso, está muito lúcido e, além da garra, mantém acesa no peito a chama da esperança.

Neste momento de reflexão, a maioria dos aposentados, no outono de suas vidas, com os filhos já criados e curtindo os seus netos, deve estar perguntando a si mesmo se precisaria ser chamado ao combate, uma vez que passou uma vida toda lutando, consciente de que mudanças importantes precisam ocorrer.

Nas cidades pequenas, por exemplo, o auto-descredenciamento dos médicos e profissionais da área da saúde é uma grande verdade, e os dirigentes fingem não ver. Esses descredenciamentos, certamente, vêm colaborando para o superávit milionário anunciado com trombetas. No final, esses recursos ficariam para quem?

As eleições da Cabesp, além de permitir que se aflorassem interesses incontidos, mostraram também uma verdade que nem todos percebiam:
1 - os entrincheirados nessas entidades representam uma minoria;
2 - a certeza de que não traduzem o pensamento da maioria do pessoal da ativa;
3 – deixamos de ser massa de manobra;
4 – essa situação não podia perdurar.

Cansados de assistir a Afubesp e uma tal de CNAB de mãos dadas com o Santander; de ver a escandalosa ingerência de sindicatos e a CUT em assuntos que dizem respeito somente aos banespianos; de ouvir uma peroração que esconde intenções não declaradas, os aposentados deram seu grito de alerta a esses dirigentes sinalizando que o jogo pelo poder político deve ser praticado nos partidos políticos.

A exclusão proposital, a intimidação descabida e a inabilidade na condução de todo o processo, foram os ingredientes que nos levaram a uma reação - que se traduz no despertar de nossa consciência.

Saímos vitoriosos dessas eleições, mas ainda temos muito pela frente. Se necessário, continuaremos a luta por mais transparência; iremos à luta buscar o bem comum, pois é o único caminho a ser trilhado que poderá trazer à tona toda a verdade.

Diante de tamanha adversidade somos levados a refletir sobre a frase de um grande pensador e orador que, certamente, viveu os tormentos do seu tempo.
“O caminho da verdade é único e simples; o da falsidade, vário e infinito” (Pe. Antonio Vieira).
(Roberto de Moraes é aposentado, associado da Afaban Sorocaba e Região e reside em São Roque-sp)




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