Terrorismo

 
Guerra contra o terrorismo chega à América do Sul
fonte Veja Online

A guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo internacional vai chegar em breve à América Latina. As redes de narcotráfico, principalmente da Colômbia, são alvos em potencial das futuras campanhas americanas para desmantelar os grupos inimigos. O alerta foi dado pelo secretário de Estado, Colin Powell, em entrevista à rede de televisão ABC, na noite desta quarta-feira.

Ele disse que a batalha será a mais ampla possível, pois a lista negra dos EUA tem 29 grupos terroristas espalhados pelo mundo. "Só na Colômbia, por exemplo, há três grupos que consideramos terroristas, e estamos trabalhando com o governo local para proteger a sua democracia contra essas ameaças", disse Powell.

Ele se referia aos grupos guerrilheiros Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Exército de Liberação Nacional (ELN), e ao paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Segundo assessores de Powell, a idéia nunca foi bombardear a Colômbia para liquidar com os 30.000 militantes das três organizações, uma vez que o governo colombiano não dá cobertura aos grupos, como acontece com os talibãs no Afeganistão.

O que o governo americano planeja é uma ação conjunta, de forças especiais, serviços de inteligência e represálias econômicas, com a colaboração de países vizinhos. E, nesse caso, o presidente George W. Bush espera contar com um auxílio mais concreto do Brasil, adiantaram os assessores.

Agentes do FBI em Bogotá, com a ajuda da CIA, estão investigando as relações das Farc com os extremistas do ETA, da Espanha, e com o Exército Republicano Irlandês (IRA). Além disso, os agentes avaliam uma pista levantada por uma empresa americana, a Stratfor Strategic Forecasting, especializada em segurança. A firma reuniu provas de que as Farc têm elos com o grupo extremista libanês Hezbollah. Este seria, inclusive, o operador logístico da organização nas fronteiras de Brasil, Paraguai e Argentina.

De acordo com o subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado, Mark Grossman, existem duas providências práticas nesse sentido. Ele disse que os ativos dos grupos terroristas colombianos nos EUA já estão sendo monitorados e deverão ser congelados em breve. Além disso, o governo americano mandou um recado ao México, solicitando que feche o escritório de representação das Farc naquele país.

A Venezuela será outro país que receberá orientação semelhante, já que em Caracas há uma representação do ELN. O Brasil está fora dessa etapa. O governo brasileiro nunca reconheceu ou aceitou o escritório da organização e o representante das Farc no país foi obrigado por autoridades a se retirar do território nacional.



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